Quando um cliente contesta uma compra no cartão dizendo que não recebeu o produto, a disputa se resolve com documentação — não com a sua palavra. Para produto físico, a prova é o rastreio da transportadora. Para produto digital, a prova é o registro da entrega: o que foi entregue, quando foi baixado e de onde. Quem não guarda esses registros perde a disputa por falta de resposta, mesmo tendo entregue.
Neste artigo você vê o que as regras da própria Visa pedem como evidência, o que muda quando o pagamento é PIX, e como montar essa defesa sem virar arquivista da própria loja.
O que é a disputa "não recebi"
O chargeback começa quando o cliente reclama ao banco dele, e não a você. O banco devolve o valor ao cliente e repassa a cobrança para a sua loja, junto com um prazo curto para você apresentar provas — quem define o prazo exato e o canal de resposta é o seu adquirente.
No sistema da Visa, a alegação de "comprei e não recebi" tem até nome e número: Condição de Disputa 13.1 — Merchandise/Services Not Received. E a orientação oficial para o lojista é direta: "forneça documentação que prove que o portador do cartão recebeu a mercadoria ou o serviço conforme combinado" (Dispute Management Guidelines for Visa Merchants, junho/2024).
Sem documentação, não há defesa. Com documentação, a disputa frequentemente nem se sustenta.
O que a Visa aceita como prova para produto digital
O mesmo guia da Visa lista, na tabela de evidências aceitas, exatamente o que conta para bens digitais baixados de um site ou aplicativo:
- Descrição da mercadoria ou serviço baixado;
- Data e hora em que o download aconteceu;
- E pelo menos dois itens adicionais, como o endereço IP do comprador e a localização geográfica do dispositivo, ou a identificação do dispositivo usado.
Essa lista vale formalmente para disputas de fraude em compra sem cartão presente (Condição 10.4 — quando o cliente diz "não reconheço essa compra"). Desde 2023, o programa Compelling Evidence 3.0 da Visa foi além: se você apresenta o histórico de transações anteriores do mesmo cliente — com IP, dispositivo ou e-mail batendo entre as compras —, a responsabilidade pela disputa pode voltar para o banco emissor.
Na prática, os dois cenários ("não recebi" e "não reconheço") convergem para a mesma lição:
Dica
O log de download é o rastreio do produto digital. Data, hora, IP e o que foi baixado: esses quatro dados decidem disputas. Se o seu processo de entrega não registra isso, você está vendendo sem comprovante.
E quando o pagamento é PIX?
PIX não tem chargeback. O que existe é o MED — Mecanismo Especial de Devolução do Banco Central, e ele cobre apenas fraude e falha operacional. O próprio guia do Banco Central é explícito: o MED não se aplica a desacordo comercial — "comprei e não gostei" ou "comprei e diz que não chegou" não abre devolução automática.
Isso é bom e ruim para a loja. Bom porque não há estorno forçado; ruim porque o desacordo vai parar onde dói mais: avaliação negativa, reclamação pública, Procon. A prova de entrega resolve a conversa antes de escalar — você responde "consta o download do arquivo X no dia Y às tal hora" com link do comprovante, em vez de bater boca.
O checklist da defesa: o que guardar em cada venda
Para sustentar uma defesa de produto digital, você precisa de, no mínimo:
- Confirmação do pagamento (a plataforma já registra);
- Prova de que o e-mail de entrega saiu: destinatário, data e hora;
- Sinais de engajamento: o e-mail foi aberto? O link foi clicado?
- O download em si: data, hora e endereço IP;
- A descrição do produto vinculada ao pedido.
Guardar isso manualmente — para cada venda, todos os dias — é inviável. É registro de sistema, não tarefa de pessoa.
Como a DigiEntrega monta essa prova sozinha
Cada entrega da DigiEntrega gera uma trilha completa, automaticamente:
- Linha do tempo por pedido: enviado → aberto → clicado → baixado, cada etapa com data e hora;
- IP registrado no momento do download;
- Comprovante de entrega público: um link que você gera no painel e encaminha para o cliente, a plataforma ou o mediador da disputa. Ele mostra a referência do pedido, o produto, o status e a linha do tempo — com os dados pessoais mascarados, então pode circular sem expor ninguém;
- Contador de downloads por link, que derruba o argumento "não consegui baixar".
Quando a contestação chega, você não procura prova: ela já existe, organizada, com link para compartilhar.
Melhor que vencer a disputa: evitar que ela exista
A maioria das disputas de "não recebi" em produto digital nasce de três falhas evitáveis:
- Entrega lenta — o cliente paga, não recebe na hora, conclui que foi enganado e aciona o banco antes de falar com você. Entrega automática em segundos elimina a janela de pânico.
- E-mail que não chega — entrega manual de Gmail pessoal cai em spam com frequência. Infraestrutura dedicada de envio reduz a perda.
- Compra não reconhecida na fatura — o cliente vê um descritor estranho no cartão e contesta de boa-fé. Página de download e e-mail com a marca da sua loja reforçam a memória da compra.
Em resumo
Disputa de produto digital se vence com registro: o que foi baixado, quando e de qual IP — é o que as regras da Visa pedem. No PIX, o MED não cobre desacordo comercial, então o comprovante resolve a conversa direto com o cliente. A DigiEntrega registra a trilha inteira em cada venda e gera um comprovante compartilhável.
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